Golpe contra idosos: advogados são investigados e R$ 9,6 milhões são bloqueados em SC

Foto: MPSC/ND Mais

Uma nova fase da Operação Entre Lobos, do Gaeco, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (20) e cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em seis municípios catarinenses: São Miguel do Oeste, Caibi, Chapecó, Lages, Itajaí e São José.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, entre os alvos estão quatro advogados. As diligências foram realizadas com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil.

A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, em valores que podem chegar a R$ 9,6 milhões, além da apreensão de veículos de luxo.

Outras medidas cautelares foram impostas, como monitoramento eletrônico de quatro envolvidos, suspensão do exercício de funções em empresas investigadas e proibição de solicitar ou receber valores por meio de alvarás judiciais ligados às empresas de fachada do grupo.

As investigações apontam a existência de um esquema de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça, criado para manter a atuação da organização criminosa e viabilizar o recebimento de valores ilícitos oriundos de ações judiciais. Com o avanço da apuração, um terceiro investigado passou a assumir o controle do escritório do principal alvo.

A operação também identificou a criação de mais uma empresa de fachada, usada para aplicar golpes contra idosos, por meio da compra de cessões de créditos judiciais em ações bancárias.

A primeira fase da operação, realizada em julho do ano passado, teve como foco desarticular a organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra ao menos 280 idosos em situação de vulnerabilidade, além de crimes como organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.

Nesta etapa, o Gaeco contou com o apoio das Polícias Militar e Civil de Santa Catarina. A investigação segue em sigilo e continua para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração.

O que é a Operação Entre Lobos

Segundo o MPSC, o nome da operação faz referência ao abuso de confiança praticado pelos investigados, que teriam extrapolado a função de advogados ao se apropriar de valores de clientes, em sua maioria idosos e vulneráveis, agindo como “predadores”.

A operação também homenageia uma das vítimas que morreu durante as investigações, de sobrenome Wolf, que significa “lobo” em inglês.

Como funcionava o golpe contra idosos

Conforme a investigação, os criminosos são suspeitos de se apropriar de mais de R$ 6 milhões em créditos judiciais, pagando às vítimas valores irrisórios. Em alguns casos, as vítimas recebiam menos de 2% do que elas teriam direito.

O golpe começava com o oferecimento de ações revisionais de contratos bancários. Muitas vezes, os processos eram ajuizados sem que as vítimas compreendessem do que se tratava.

Depois disso, os alvos eram induzidos a assinar contratos de cessão dos valores que teriam direito a receber ao fim da ação. As empresas que apareciam como compradoras dos créditos eram, segundo a investigação, fachadas da organização criminosa.

A estrutura usava o IDAP (Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista), uma entidade de fachada com atuação nacional, para captar vítimas pela internet. O site institucional era usado para coletar documentos e autorizações.

Os créditos judiciais, em geral, já garantidos pela Justiça, eram vendidos pelas vítimas por valores muito abaixo do devido, às vezes com diferença de mais de R$ 100 mil.

Orientações às vítimas

Quem se reconhecer como vítima do esquema deve procurar a Delegacia de Polícia Civil mais próxima para registrar um boletim de ocorrência. O caso será encaminhado ao Ministério Público.

Promotoria de Justiça de Modelo (SC) – WhatsApp: (49) 99200-7462
Ouvidoria do MPSC – E-mail: ouvidoria@mpsc.mp.br | Telefones: 127 ou (48) 3229-9306 (das 9h30 às 19h)

Fonte: ND+