Tenistas estrangeiros são presos em SC após chamarem colega de “macaco” em torneio

Foto: PMSC/Divulgação/ND Mais

Dois atletas estrangeiros foram presos em flagrante por um caso de racismo no Itajaí Open de Tênis, torneio realizado no Clube Itamirim, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. A ocorrência foi atendida pela Polícia Militar na tarde desta quinta-feira (22), após a derrota da dupla no torneio.

Segundo a Polícia Militar, a denúncia envolve gestos e palavras que teriam sido direcionados à torcida e a um funcionário do clube. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um dos jogadores fazendo um gesto que foi interpretado como racista logo após o encerramento da partida.

O episódio de racismo no Itajaí Open foi registrado em vídeo pelo criador de conteúdo digital Bonfa (@bonfatennis), que acompanhava a partida. Em relato publicado nas redes sociais, ele contextualizou o momento do ocorrido, protagonizado pela dupla de tenistas estrangeiros, o colombiano Cristian Rodríguez e o venezuelano Luis David Martinez.

“Esse que aparece no vídeo é o colombiano Cristian Rodríguez. Eles estavam jogando contra os brasileiros nas duplas aqui no Challenger de Itajaí, em Santa Catarina”. Segundo o influenciador, o gesto aconteceu logo após o fim do jogo. “E o racismo começou logo quando acabou o jogo, quando o colombiano foi cumprimentar os brasileiros na rede e ele faz um gesto de macaco olhando para a torcida”.

Depois, em um outro momento, quando saía da quadra em direção ao vestiário, o outro jogador da dupla também cometeu injúria. O influenciador, que ainda gravava a cena, descreveu a nova situação, agora envolvendo um boleiro do torneio.

“No momento que ele ia para o vestiário ele tinha que passar num lugar estreito, e tinha um boleiro passando na hora, só que ele [o jogador] não gostou de ter passado depois do boleiro. Então ele ficou encarando. O boleiro ficou encarando ele de volta, mas sem falar absolutamente nada. O jogador largou simplesmente as raqueteiras no chão e foi peitar ele. E quando ele foi pegar a bolsa no chão, ele falou ‘macaco’, direcionado ao boleiro”, contou.

As imagens passaram a circular amplamente nas redes sociais e auxiliaram na apuração dos fatos pelas autoridades.

Quando a guarnição chegou ao clube, por volta das 16h15, os atletas já haviam deixado o local e se dirigido ao hotel onde estavam hospedados.

Suspeitos de racismo são localizados em hotel e presos por injúria racial no Itajaí Open

Uma equipe da Polícia Militar seguiu até o hotel e localizou um dos suspeitos, Luis David Martinez, o atleta venezuelano, de 36 anos. De acordo com o boletim de ocorrência, ele teria feito um gesto em direção à torcida, imitando um macaco ao coçar as axilas, o que foi interpretado como ato de cunho racista.

O jogador recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Central de Polícia, sendo autuado pelo crime de injúria racial, conforme a Lei nº 7.716/89, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Na delegacia, a vítima das ofensas e uma testemunha compareceram para prestar depoimento. No local, os policiais constataram a presença do segundo atleta envolvido, o colombiano Cristian Rodríguez, de 35 anos, suspeito de ter proferido ofensa verbal contra um funcionário do clube. Diante dos relatos, ele também recebeu voz de prisão pelo mesmo crime.

A Polícia Militar informou que o caso foi tratado como flagrante a partir dos relatos das vítimas, testemunhas e do material audiovisual disponível.

Após os procedimentos, ambos foram encaminhados ao Presídio da Canhanduba, onde permanecem à disposição da Justiça e aguardam audiência de custódia.

O ND Mais não conseguiu contato com a defesa dos atletas até o fechamento da reportagem. O espaço segue em aberto.

Fonte: ND+