Um homem é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina por suspeita de abuso sexual contra uma menina de sete anos, filha de seus vizinhos, em um condomínio na região central de Canoinhas, no Planalto Norte catarinense. A Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) já cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do investigado e apreendeu o celular dele para perícia.
O caso veio à tona no dia 20 de fevereiro, uma sexta-feira, quando a criança relatou aos pais que o vizinho teria pedido para beijar sua genitália. Segundo o pai da menina, a filha contou ainda que o investigado realizava “massagens” em seu corpo e, durante esses momentos, tocava suas partes íntimas. A criança também relatou que o suspeito mostrava imagens de conteúdo sexual no celular para ela.
Conforme a denúncia registrada na DPCAMI, o investigado e sua esposa se mudaram para o condomínio e passaram a se aproximar das crianças da família vizinha oferecendo doces e presentes com frequência. Com o tempo, a menina criou vínculo com o casal e passou a frequentar o apartamento deles. Segundo o relato do pai, os presentes foram escalando em valor, chegando a um hoverboard avaliado em mais de R$ 600, além de bonecas, fantasias e roupas.
O pai da vítima afirma que a esposa do investigado tinha ciência dos abusos. Segundo o relato registrado, a mulher se ausentava do apartamento em diversas ocasiões, deixando a criança sozinha com o marido. Em uma das ocasiões, o casal teria insistido para que a menina dormisse no apartamento deles e, conforme a criança relatou, foi nessa noite que o investigado pediu para beijar sua genitália. A menina afirmou ainda que a esposa estaria presente em momentos em que o suspeito realizava as “massagens”, sem tomar qualquer providência.
Questionada sobre o motivo de não ter contado antes, a criança disse que o investigado pedia segredo sobre as “massagens”, mas que não estava mais conseguindo guardar. O pai relatou que a filha passou a ter pesadelos frequentes e que, durante o sono, verbalizava frases relacionadas aos abusos. A filha mais nova da família também teria relatado condutas semelhantes por parte do suspeito.
O delegado responsável pela DPCAMI de Canoinhas confirmou que, assim que o pai se apresentou na unidade, o atendimento foi priorizado e a investigação aberta de imediato. O investigado se apresentou voluntariamente e entregou o celular, que foi encaminhado para perícia pela Polícia Científica.
No sábado, 7 de março, o pai gravou um vídeo expondo os nomes e as fotos do investigado e de sua esposa, compartilhando o material pelo WhatsApp. No vídeo, ele reclama da morosidade da Justiça e afirma ter localizado outra possível vítima do investigado, de aproximadamente dez anos atrás, cujos pais não teriam denunciado por medo. Em um trecho, o pai chegou a mencionar que poderia tomar atitudes violentas contra o casal.
O delegado lamentou a divulgação do vídeo, afirmando que a exposição pública prejudicou significativamente as investigações, que corriam sob sigilo. Após a publicação, o investigado e a esposa entraram com uma representação contra o pai da menina. O pai, por sua vez, solicitou medida protetiva em favor da filha, considerando que o investigado mora a poucos metros de sua residência.
O caso corre em segredo de Justiça. Conforme o delegado, o vídeo gravado pelo pai com a criança não poderá ser utilizado como prova, uma vez que a menina possui credibilidade jurídica somente quando ouvida em juízo, por meio de depoimento especial, que deverá ser agendado pelo Judiciário. A Polícia Civil de Santa Catarina segue com as diligências investigativas.
Fonte: JORNAL RAZÃO
Jornal Razão

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