Projeto inspirado na China propõe solução contra enchentes em Blumenau

Foto: Franciele Cardoso/NDTV

O conceito de “cidade esponja”, inspirado em soluções adotadas na China, surge como aposta para enfrentar os alagamentos em Blumenau, no Vale do Itajaí. A proposta prevê intervenções urbanas voltadas à absorção da água da chuva, com foco em reduzir os impactos em áreas frequentemente afetadas na cidade.

Desde a fundação pelos colonos a cidade sofre com as cheias do rio Itajaí-Açu e, mais recentemente, com as enxurradas causadas pelas fortes chuvas de verão e drenagem insuficiente nas ruas.

Ainda assim, foi apenas em 2019 que a prefeitura criou uma diretoria focada na análise de áreas críticas do município e em sugerir soluções de drenagem. A nova solução apontada pela equipe se inspira em um conceito chinês: o de cidade esponja.

O conceito de cidade esponja, da China

Criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu na década de 2000, o modelo de cidade esponja substitui concreto por pavimentos permeáveis, telhados verdes e áreas alagáveis.

Com isso, a natureza faz o trabalho de absorver, armazenar e purificar a água da chuva, reduzindo enchentes e reaproveitando recursos hídricos, comuns em conceito de cidade esponja.

Diversas cidades do Brasil, como Curitiba, Belo Horizonte, Niterói e Recife, contam com parques alagáveis, que entram no conceito de cidade esponja. Até mesmo Balneário Camboriú e Camboriú já estão com iniciativas em desenvolvimento.

O primeiro exemplo prático em Blumenau foi o aproveitamento de um local que já era alagado constantemente para se tornar um espaço de lazer, conhecido como Parque das Itoupavas.

O Parque Alcântaro Corrêa fica na rua 1º de Janeiro, que é uma das primeiras ruas atingidas por cheias em Blumenau. Como seria impossível aproveitar o terreno para outros equipamentos públicos, como creche, escola ou hospital, o parque se torna uma solução para não desperdiçá-lo no restante do ano.

Parque alagável deve ser construído no Vila Nova

Ainda no início de abril, a prefeitura começou a divulgar o planejamento de um parque alagável, parecido com o conceito de cidade esponja, na região do bairro Vila Nova, que sofre com constantes cheias durante chuvas de verão.

O espaço, ainda em planejamento, já tem nome: Parque Frederico Guilherme Busch Junior, em homenagem ao 23º prefeito de Blumenau. De acordo com a Secretaria de Planejamento, 86% do bairro é residencial, sendo a região mais densa da cidade em ocupação.

A ideia é implantar uma floresta urbana que seja um espaço de lazer durante a maior parte do ano, mas que possua um sistema de drenagem sustentável para os períodos de chuva forte, já que o atual é insuficiente.

O parque contaria com áreas de lazer, quiosques, decks, lagoa, áreas de recreação infantil, passarelas, quadras poliesportivas e pista de skate.

Durante uma reunião de trabalho para acompanhar projetos estruturantes e discutir soluções para os desafios de drenagem urbana no município, feita na quinta-feira (17), o secretário de Planejamento Urbano de Blumenau defendeu o projeto:

“Uma das primeiras conversas que eu tive com a Diretoria de Drenagem foi questionar o que acontece na Vila Nova depois de tantas intervenções, mas sem o resultado esperado pela população. A partir daí, fomos buscar soluções para todo o prejuízo dos moradores, mobilidade urbana e agora a expansão do hospital”, explica Daniel Otávio Maffezzolli.

Durante a sessão, o urbanista também mencionou que um empresário de Blumenau está sondando a possibilidade de tornar a área pública do loteamento que administra um parque alagável para aliviar a situação da região do Vorstadt.

Outros alagamentos

Ainda na reunião, outros pontos críticos da cidade foram questionados à Frente Parlamentar em Defesa das Políticas Públicas em Infraestrutura e Saneamento Básico. Como exemplo, as ruas Nereu Ramos e Araranguá, que sofrem com alagamentos recorrentes.

Apesar de os parques alagáveis não serem uma solução viável para cada canto da cidade, investimento em galerias com maior capacidade, manutenção das já existentes e a possível criação de um Fundo Municipal de Drenagem também estão no planejamento da secretaria.

Fonte: ND+