Cidade de SC recebe fábrica inédita que separa recicláveis do lixo de forma automática

Foto: Ciclare/Divulgação/ND Mais

A cidade de Brusque ganhou uma fábrica de reciclagem com tecnologia inédita no Brasil. A Unidade de Triagem Mecanizada separa automaticamente os resíduos e consegue recuperar materiais recicláveis diretamente do lixo comum residencial. A fábrica teve investimento de R$ 181 milhões e começou a operar na segunda-feira (25), com capacidade de processar cerca de 800 toneladas de resíduos por dia.

O sistema utiliza equipamentos ópticos, magnéticos e mecânicos capazes de identificar e separar materiais com alta precisão em escala industrial. Segundo os responsáveis pelo projeto, a tecnologia já é utilizada na Europa e nos Estados Unidos, mas estreia no Brasil no modelo conhecido como Materials Recovery Facility (MRF).
Na prática, os resíduos urbanos passam por uma triagem automatizada que permite recuperar materiais recicláveis sem competir com a coleta seletiva ou com o trabalho de cooperativas e catadores. A expectativa é que cerca de 25% dos materiais recebidos, principalmente alumínio, metais ferrosos e plásticos, sejam reaproveitados e enviados para indústrias por meio de contratos de longo prazo.

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Os resíduos orgânicos serão encaminhados para um aterro sanitário operado pela Veolia. O biogás gerado no local será utilizado para alimentar geradores de energia elétrica, ajudando no abastecimento da própria planta de reciclagem.

Além da ampliação da reciclagem, a estimativa é que a operação evite a emissão de cerca de 33 mil toneladas de CO₂ por ano e contribua para aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Atualmente, o Brasil recicla apenas 8,7% dos resíduos sólidos urbanos gerados anualmente.

“É uma tecnologia que não existe no Brasil. Nos dispusemos a enfrentar uma realidade à qual é muito difícil se acostumar: a de não ter tratamento adequado de resíduos e conviver com a cultura de lixões e aterros que não se alinham às melhores práticas do mundo”, afirma o co-CIO da Just Climate, controladora da operação, Eduardo Mufarej.
O projeto recebeu recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, por meio do BNDESPAR, além de financiamento do BID Invest. Parte dos investimentos foi feita pela gestora Just Climate, criada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.
“Construir um modelo mais eficiente de reciclagem e recuperação de resíduos faz parte de um dos temas estratégicos do BNDES, que valoriza a economia circular e promove cidades mais sustentáveis. O Brasil precisa consolidar um caminho para a destinação correta do lixo, com mais tecnologia e valorização das cooperativas e trabalhadores da reciclagem, gerando mais renda”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Fonte: Ndmais