A filha mais velha de Débora Dambros, de 9 anos, prestou depoimento especial à Justiça sobre a morte da mãe, que ocorreu após o veículo em que ela estava cair de uma ponte na SC-283, entre São Carlos e Palmitos, no Oeste de Santa Catarina. O caso, inicialmente tratado como acidente, passou a ser investigado como feminicídio, e a menina, segundo a advogada da família, é testemunha ocular dos fatos.
A criança foi ouvida em uma sala reservada no Fórum, acompanhada apenas pela profissional responsável pelo depoimento. A sessão durou mais de uma hora, enquanto juiz, Ministério Público, advogados e familiares acompanharam o procedimento por videoconferência e encaminharam perguntas por meio da profissional.
Menina foi ouvida uma única vez
A oitiva foi realizada pelo procedimento conhecido como depoimento especial, utilizado para ouvir crianças e adolescentes em situações envolvendo violência ou outros fatos que possam exigir proteção durante o processo.
A menina sabia que estava sendo gravada, mas não sabia que outras pessoas acompanhavam o depoimento por vídeo. As perguntas feitas pelo juiz, pelo Ministério Público e pelos advogados foram encaminhadas à profissional, que adaptou a forma de abordagem à idade da criança.
Segundo Karen Rebelato, advogada que representa a avó materna e os dois filhos de Débora, a menina se mostrou calma e firme durante o depoimento.
A advogada também afirmou que a criança é uma testemunha ocular dos fatos por estar presente no local no dia da morte da mãe. Segundo Karen, ela confirmou os acontecimentos durante a oitiva.
O conteúdo do depoimento não foi divulgado para preservar a criança e evitar sua exposição.
Família busca garantir direitos dos filhos
A avó materna de Débora está responsável pela guarda dos dois filhos da vítima. Desde a morte da jovem, a família tem adotado medidas judiciais para garantir a proteção e o sustento das crianças.
Segundo a advogada, foram apresentados pedidos de pensão por morte ao INSS, pensão alimentícia e auxílio-reclusão.
Também foi iniciado um inventário para identificar e preservar o patrimônio relacionado à família. Entre as medidas estão pedidos para investigar bens, contas bancárias, veículos e empresas.
A defesa ainda ingressou com uma ação de indignidade contra o marido de Débora. O objetivo é buscar que ele seja excluído de eventual direito à herança da vítima, preservando os bens para os demais herdeiros, especialmente os filhos.
A ação ainda será analisada pela Justiça.
Amarok também virou alvo de investigação
Além do processo criminal, a família tenta esclarecer a transferência de uma Volkswagen Amarok ocorrida depois da morte de Débora.
Nesta terça-feira (8), a advogada protocolou um pedido judicial para bloquear, buscar e apreender a Amarok.
Até a publicação desta matéria, porém, ainda não havia decisão da Justiça sobre o pedido.
A família também tenta preservar objetos que permanecem na residência, entre eles roupas, documentos e brinquedos das crianças. A intenção é retirar itens necessários aos menores, mas a medida depende de autorização judicial.
Audiência está marcada para 15 de setembro
Outra etapa importante do processo acontece na próxima semana. A audiência de instrução foi marcada para 15 de setembro.
Essa audiência corresponde à primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri. Nela, serão ouvidas testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa, além do interrogatório dos acusados.
Depois dessa etapa, o juiz deverá analisar as provas e decidir se os acusados serão ou não submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o caso de Débora Dambros
Débora Dambros, de 24 anos, morreu em 21 de julho após o veículo em que estava cair no Rio Barra Grande, na SC-283, entre São Carlos e Palmitos, no Oeste de Santa Catarina.
Relembre o caso de Débora Dambros
Débora Dambros, de 24 anos, morreu em 21 de julho após o veículo em que estava cair no Rio Barra Grande, na SC-283, entre São Carlos e Palmitos, no Oeste de Santa Catarina.
Inicialmente, a ocorrência foi tratada como um acidente. Durante a investigação, porém, a polícia apontou que a jovem já estaria morta antes de o veículo cair no rio e que a queda teria sido utilizada para simular um acidente e encobrir o feminicídio.
Os dois filhos de Débora estavam na casa no momento do crime e, segundo a investigação, a vítima chegou a pedir socorro durante o ataque.
O marido de Débora e o sogro foram presos preventivamente em 31 de julho.
Segundo a investigação policial, o marido teria matado a jovem por asfixia e contado com a ajuda do pai para transportar o corpo e lançar o veículo no rio.
A polícia também apontou que o celular de Débora teria sido utilizado para enviar mensagens falsas e sustentar uma versão diferente dos acontecimentos.
Fonte: Nd Mais
Foto: Montagem/ND Mais

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