Mensagens trocadas entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Nunes Marques e Gilmar Mendes terminaram em bloqueio entre os decanos. A conversa teria ocorrido no dia 8 de setembro, quando a Segunda Turma da Corte julgou a decisão que havia afastado Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.
De acordo com informações do Poder360, o ministro Gilmar Mendes estava na Itália quando o bate-papo ocorreu.
Na data, formou-se maioria pelo afastamento do delegado da função. Gilmar Mendes, contudo, pediu vista e adiou a conclusão do julgamento.
Segundo a CNN Brasil, foi nessa sequência de fatos que Nunes Marques enviou uma crítica ao ministro em relação à sua postura.
O que Nunes Marques e Gilmar Mendes conversaram?
A transcrição completa da troca de mensagens entre os magistrados foi publicada pelo Poder360:
Gilmar Mendes (18h23): “Vamos agora discutir na turma ou no plenário, o que existe? Todos dizendo q vcs sao refens do andre… ok abram as contas”
Gilmar Mendes (18h24): “Vc e o Fux parecem servis, submissos…”
Gilmar Mendes (18h25): “Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”
Nunes Marques (18h26): “Me respeite Gilmar Isso não é postura”
Gilmar Mendes (18h27): “Vc tem de sair do tse tambem”
Nunes Marques (18h27): “Então não me tecle, pois não falo com quem não me respeita”
Gilmar Mendes (18h27): “Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”
Nunes Marques (18h28): “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo”
Nunes Marques (18h28): “Como juiz”
Gilmar Mendes (18h30): “Kassio, papo encerrado. Marmelada bao dah. Jah falei com Fux. Eu entendo de Malandro”
Nunes Marques (18h30): “Claro que você entende …”
Gilmar Mendes (18h31): “Tramoias ….”
Na sequência da discussão, o ministro Nunes Marques teria bloqueado Gilmar Mendes no aplicativo.
As mensagens vieram à tona apenas nesta terça-feira (15), em meio ao julgamento do ministro Alexandre de Moraes no STF.
Dino pede vista e adia julgamento de Moraes em meio à escalada da tensão entre ministros
O ministro Flávio Dino atuou para adiar o julgamento de Alexandre de Moraes com um pedido de vista em meio ao bate-boca mais intenso da sessão extraordinária desta terça-feira. O mecanismo foi adotado em reação à troca de ataques entre André Mendonça e Gilmar Mendes, que se acusaram de “desfaçatez”.
Os magistrados protagonizaram uma intensa discussão, com exigências de Mendonça por respeito. Dino voltou a criticar a condução do ministro-presidente, Edson Fachin, diante dos conflitos. “A quinze dias de uma eleição, o tribunal se expôs a isso. E veja: sem ponto final, presidente”, disse.
“Acho que Vossa Excelência não se deu conta disso, porque Vossa Excelência, além de marcar esta sessão desastrada, ainda marcou uma na próxima semana, e, nas próximas semanas, Vossa Excelência está condenado a marcar dezenas de sessões iguais a esta”, afirmou o magistrado.
Dino recuou em seu voto sobre a questão de ordem que pretendia adiar a sessão, mas manteve o pedido de vista, que pode arrastar o julgamento por até 90 dias. O placar da votação da questão de ordem para adiar o julgamento e unificar as deliberações sobre Moraes e Mendonça ficou em 4 a 3, favorável a Mendonça.
O julgamento é considerado inédito por envolver a definição sobre a eventual abertura de uma investigação contra um ministro em exercício do Supremo.
Nunes Marques se declara impedido em julgamento de Moraes
Em meio à revelação das mensagens trocadas com Gilmar Mendes, o ministro Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento de Moraes nesta terça-feira. Ao justificar a decisão, afirmou que não se sente confortável para atuar no caso diante do cenário político-eleitoral.
Antes da decisão, nesta segunda-feira (14), foram divulgadas mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro que citam pagamentos de R$ 500 mil mensais ligados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro. Nunes Marques saiu em defesa do filho durante discurso na Corte.
“Em relação às mensagens que foram divulgadas de ontem para hoje e que sempre vão rondar autoridades no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco, nem nunca foi remunerado pelo banco. E isso é fato”, disse Kassio.
Fonte: Nd Mais
Foto: Rosinei Coutinho/STF/ND Mais; Reprodução/ND Mais

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