Defesa nega culpa de ex-mulher em morte de personal e sugere envolvimento de suposta amante em SC

Foto: Reprodução RECORD

O assassinato de um personal trainer chocou a comunidade em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. No dia 18 de novembro, o Guilherme Montani, de 34 foi morto anos, morto a tiros no Centro. A ex-mulher de Guilherme, Juliana Ferraz, é apontada pela polícia como principal suspeita do crime.

Em entrevista ao ND Mais, a advogada de Juliana, Fátima Cristina Ferreira, contestou a versão preliminar apresentada pela Polícia Militar sobre o assassinato. Ela destaca que a suspeita nega qualquer envolvimento no crime.

A defesa alega que ela não tinha motivo para matar o ex-marido e que vivia sob forte abalo psicológico e emocional após anos de um relacionamento marcado por agressões, ameaças e dependência emocional.

Defesa diz que ex-mulher não matou personal trainer

Segundo a advogada, no dia da morte de Guilherme, Juliana havia trabalhado normalmente e estava em casa quando recebeu mensagens dizendo que estava sendo acusada do crime. Assustada, deixou a cidade por medo de represálias, e não por fuga da polícia.

“Ela recebeu uma mensagem dizendo que estavam acusando ela, dizendo para tomar cuidado com familiares e amigos. Por medo, ela saiu. Ela não está fugindo, ela está se protegendo”, afirma a advogada.

A defesa também destaca que existe documentação psicológica comprovando que Juliana buscou ajuda para encerrar o relacionamento.

“Dizem que ela não aceitava o fim. É o contrário. Quem procurou ajuda para sair do relacionamento foi ela. Isso está nos laudos da psicóloga. Ela vivia um relacionamento abusivo e tóxico”, explica.

Histórico de agressões e ameaças

A advogada apresenta um ponto considerado crucial pela defesa: Juliana teria sido vítima de agressões físicas de Guilherme, incluindo uma facada que atingiu seu braço quando ela tentou se defender. Além disso, a ex-esposa possuía medida protetiva da Lei Maria da Penha, que posteriormente foi retirada pela Justiça de Santa Catarina, deixando-a desamparada.

Juliana relatava viver sob ameaças constantes, muitas delas feitas pessoalmente, quando cruzavam em deslocamentos para o trabalho. Segundo a defesa, Guilherme dizia que, se perdesse direitos sobre o apartamento por causa da medida protetiva, “ela não viveria para usufruir”. Fátima destaca que foi esse medo que teria levado Juliana a abandonar o imóvel e a cidade pouco depois.


Disputa por bens e pressão psicológica

A separação também teria sido marcada por conflitos patrimoniais. O casal dividia um apartamento e um carro, e Juliana afirma que o ex-companheiro fez de tudo para prejudicá-la financeiramente.

“Ele fez ela sair do apartamento, que era pago pelos dois. Levou o carro e deixou ela sem nada. Não aceitava que ela tivesse direito aos bens do casal”, relata a advogada.


A defesa reforça que Juliana vivia uma “dependência emocional profunda” e aceitava tudo em silêncio, até procurar ajuda psicológica. Atualmente, continua tomando medicamentos controlados por estar em pânico com o que ocorreu e com a repercussão do caso.

Defesa questiona motivação atribuída pela polícia

Para a Polícia Militar, o crime teria motivação passional, ocorrido após Juliana supostamente não aceitar o término do relacionamento. Parte dessa suspeita se baseia no fato de que o personal trainer teria atualizado nas redes sociais o status de noivado com a atual companheira.

No entanto, a defesa afirma que essa narrativa “cai por terra”. “Juliana não tinha motivo para cometer o crime. Ela não disputava afeto e não queria retomar nada. Quem não aceitava o fim era ele, tanto que a perseguia e ameaçava.”

A advogada declara que, na visão de Juliana, o homicídio poderia ter sido cometido por uma das amantes que Guilherme mantinha ao longo da relação, citando que ele teria iniciado um novo noivado rapidamente.


“Ele teve várias amantes. É possível que alguma delas não tenha aceitado o casamento. Mas não a Juliana, que procurou ajuda justamente para se afastar”, dispara a advogada.


A advogada afirma que Juliana não permanecerá oculta e pretende se apresentar às autoridades. “Ela está aguardando minha chegada em Itajaí. Não há fuga. Ela vai se apresentar e prestar sua versão”, ressalta.

Como ocorreu o crime

Por volta das 20h, Guilherme foi surpreendido na praça dos Correios ao sair da academia onde trabalhava. A ex-mulher teria permanecido no local a espera do personal trainer por cerca de 40 minutos.

Ela teria realizado diversos disparos contra Guilherme e fugido a pé do local. Depois, a mulher pode ter chamado um veículo de transporte por aplicativo. Policiais militares realizaram buscas, mas a suspeita não foi localizada.


Fonte: ND+