Feminicida é condenado a 39 anos após degolar a esposa em SC

Foto: Redes Sociais/ND

Um homem acusado de degolar a esposa por não aceitar o fim do casamento foi condenado a 39 anos de reclusão pelo Tribunal do Júri da Comarca de Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O feminicídio contra Rosimare Rabelo Torquato aconteceu no dia 16 de fevereiro deste ano, no imóvel onde o casal vivia, no bairro Renascer.

A sentença foi proferida durante julgamento na última terça-feira (2) e o cumprimento da pena deverá ocorrer inicialmente em regime fechado e o caso foi julgado com base na nova legislação que tornou o feminicídio um crime autônomo, e não mais uma qualificadora do homicídio. Eles eram casados há 35 anos.

Homem condenado por degolar a esposa premeditou o crime

Segundo apresentado em plenário pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), representado pelo promotor de Justiça Carlos Eduardo Tremel de Faria, na noite anterior ao crime a vítima avisou aos filhos que dormiria com a porta do quarto trancada, pois estava com medo do comportamento do esposo que já vinha apresentando alterações havia alguns dias.

O crime aconteceu durante a madrugada, e imagens de câmeras de monitoramento registraram o homem deixando o local. De acordo com o MPSC, a vítima foi morta asfixiada e com duas facadas no pescoço porque o homem não aceitava que a mulher quisesse pôr fim ao relacionamento.

Há cerca de um mês, os dois já não viviam como um casal, mas ainda moravam na mesma residência. A vítima dormia em um quarto sozinha, separada do réu, e aguardava a assinatura do divórcio. Na semana do assassinato, o casal deveria assinar os documentos da separação, mas o réu não compareceu, e a vítima precisou reagendar a assinatura, que ocorreria dias após o crime.

Feminicídio em Criciúma teve todas as qualificadoras reconhecidas

Ainda de acordo com a denúncia, o homem entrou no quarto durante a madrugada, enquanto a esposa dormia, colocou um pano em sua boca para asfixiá-la e desferiu dois golpes de faca em seu pescoço.

Após matá-la, ele fugiu da residência, mas as imagens da câmera de segurança de um vizinho permitiram a identificação imediata pelos filhos. A vítima foi encontrada sem vida por uma amiga, que estranhou sua ausência e foi até a casa no dia seguinte.

O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras previstas na denúncia. O feminicídio foi cometido por motivo torpe, já que o réu não aceitava o fim do casamento, e com recurso que dificultou a defesa da vítima, surpreendida enquanto dormia. Além disso, o crime foi praticado mediante asfixia e com meio cruel, circunstâncias que agravam a pena.

A pena foi fixada em 39 anos, oito meses e dez dias de reclusão.

Onda de feminicídios em SC

Os casos de feminicídio em Santa Catarina cresceram de forma expressiva ao longo do mês de novembro. Conforme levantamento feito pelo portal ND Mais, ao menos nove mulheres morreram vítimas de violência de gênero no estado.

Um dos casos envolveu a estudante de mestrado da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Catarina Kasten, vítima de violência sexual e morta enquanto andava na trilha do Matadeiro, em Florianópolis.

O autor do crime, identificado como Giovane Correa Mayer, de 21 anos, foi flagrado por uma câmera de monitoramento caminhando em local próximo ao do assassinato na trilha do Matadeiro.

Fonte: ND+