A Epagri apresentou um conjunto de estratégias para fortalecer a cadeia produtiva do leite em Santa Catarina durante reunião realizada na sede da instituição, em Florianópolis.
A agenda teve como foco a avaliação socioeconômica do setor e a construção de soluções para ampliar a competitividade e renda no campo. Somente em 2024, os investimentos estaduais destinados à cadeia leiteira somam mais de R$ 216,3 milhões.
O encontro, promovido pela Sape (Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária), reuniu lideranças do segmento, parlamentares e representantes da Cidasc.
Investimentos estaduais destinados à cadeia leiteira somam mais de R$ 216,3 milhões
Com 24,5 mil produtores e 3,3 bilhões de litros produzidos em 2024, Santa Catarina ocupa o 4º lugar no ranking nacional, respondendo por cerca de 9% da produção brasileira.
No encontro, foram debatidos temas como custo de produção, rentabilidade, impactos das importações, produtividade e desafios para ampliar o consumo interno de leite e derivados.
Estratégias apresentadas pela Epagri
Entre as propostas destacadas pela instituição está o sistema de produção de leite à base de pasto, modelo que reduz custos, aumenta eficiência e confere maior resiliência às propriedades em períodos de preços deprimidos.
Segundo o presidente da Epagri, Dirceu Leite, a expansão dessa tecnologia é fundamental para garantir sustentabilidade econômica aos produtores, por exigir menos insumos externos.
Outra estratégia apresentada envolve o reforço das compras públicas de leite da agricultura familiar, sobretudo para o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Estudos conduzidos pela economista Lilian Elias apontam que governos federal, estadual e municipais poderiam adquirir até 68 milhões de litros por ano, sem elevação significativa de despesas, criando um mercado estável para o setor.
Consumo médio de apenas 5 litros de leite por famíliaA economista Andrea Castelo Branco trouxe dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, que apontam consumo médio de apenas 5 litros de leite por família, entre leite fluido e derivados.
Para Dirceu Leite, ampliar a compra institucional do produto favorecerá renda imediata aos agricultores, ajudará a absorver excedentes e contribuirá para aumentar o consumo entre famílias de baixa renda, público para o qual o leite é uma das principais fontes de cálcio e proteína.
O secretário adjunto da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, destacou que as propostas da Epagri reforçam ações em andamento.
Ele anunciou que as sugestões serão sistematizadas e avaliadas quanto à viabilidade pelo Grupo de Trabalho formado pelo setor. Nesta semana, Chiodini também esteve em reunião sobre o tema no Mapa (Ministério da Agricultura), em Brasília.
Estímulo da cadeia leiteira
Os produtores contam hoje com uma série de políticas públicas voltadas ao estímulo da cadeia leiteira. Entre os principais programas:
Leite Bom SC: reúne os programas Pronampe Leite SC e Financia Leite SC, com previsão de R$ 150 milhões entre 2024 e 2026 para subsidiar juros e oferecer financiamentos sem juros via Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural.
Incentivos tributários: o Estado também prevê R$ 150 milhões em incentivos à indústria leiteira catarinense ao longo de três anos (R$ 75 milhões no primeiro, R$ 50 milhões no segundo e R$ 25 milhões no terceiro).
Suspensão de benefícios para importação: a retirada de incentivos às importações teve impacto imediato: segundo a Secretaria de Estado da Fazenda, o volume de produtos importados caiu quase 75% no primeiro semestre deste ano, passando de R$ 512,5 milhões para R$ 135,2 milhões.
Programa Terra Boa: voltado à melhoria das pastagens, contribui diretamente para a produtividade das propriedades.
Controle e rastreabilidade: o leite catarinense segue rígidos protocolos de inspeção e qualidade, fortalecendo a confiança no produto local.
Caminhos para o futuro
Com desafios que incluem custos elevados, oscilação de preços e influência das importações, as propostas apresentadas pela Epagri apontam para soluções estruturantes de médio e longo prazo.
A expectativa é que, com maior coordenação entre Estado, produtores e indústria, Santa Catarina avance em competitividade e consolide sua posição entre os principais polos leiteiros do país.
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