NSC divulga laudo ‘exclusivo’ do cão Orelha descartando ‘fratura por ação humana’

JORNAL RAZÃO

A NSC, afiliada da Globo em Santa Catarina, divulgou como “exclusivo” o laudo da Polícia Científica sobre a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo a reportagem exibida pela NSC TV e publicada no portal g1 SC, o exame feito após a exumação descartou fraturas no esqueleto do animal que indicassem ação humana direta.

De acordo com a NSC, o laudo foi produzido depois da exumação realizada em 11 de fevereiro, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina. Os peritos afirmaram no documento que todos os ossos foram minuciosamente examinados e que não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com agressão por objeto contundente.

A reportagem destaca, no entanto, que a perícia não conseguiu apontar a causa da morte. Conforme o laudo, o corpo já estava em estágio avançado de decomposição e em fase de esqueletização, o que comprometeu a análise de tecidos moles. O documento também ressalta que a ausência de fraturas não deve ser interpretada automaticamente como inexistência de trauma cranioencefálico.

Segundo a NSC, os peritos ainda descartaram a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do cão, versão que circulou nas redes sociais nas semanas seguintes ao caso. Foi identificada uma área de porosidade óssea compatível com osteomielite, além de alterações degenerativas na coluna, condições descritas como crônicas e sem relação com eventual trauma recente.

O caso segue sob análise do Ministério Público, que deve decidir se acolhe o pedido de internação do adolescente apontado como autor do ato infracional, se determina novas diligências ou se arquiva o procedimento. A investigação tramita em segredo de Justiça por envolver menores, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Há duas semanas, o programa Fantástico, também da Globo, exibiu uma entrevista exclusiva com uma moradora que admitiu ter divulgado informação falsa sobre o caso. Segundo o Fantástico, ela afirmou à polícia que fez a primeira postagem mencionando um suposto vídeo de espancamento do cão, registro que nunca existiu. Em depoimento, declarou que se baseou apenas no comentário de uma conhecida em rede social e reconheceu que “pegou” uma parte da história sem confirmar os fatos.

Ainda conforme a NSC e o Fantástico, a Polícia Civil investiga o caso como maus-tratos seguidos de morte. Um laudo indireto anterior, baseado no atendimento veterinário, apontava que a causa da morte teria sido um golpe na cabeça com objeto contundente. Com o novo exame pericial, a principal conclusão é que não há fraturas ósseas atribuídas à ação humana, mas a causa da morte permanece inconclusiva.


Fonte: JORNAL RAZÃO